O ritmo
tem algo mágico;
chega a
fazer-nos acreditar que o sublime nos pertence.
Johann Goethe
Antes mesmo do final de
fevereiro já podia sentir que aquelas semanas eu jamais esqueceria. Havia algo
de diferente na cor dos dias. As nuvens carregadas me faziam lembrar os dias
chuvosos da minha infância, o que me deixava sem motivo algum completamente
feliz. Sempre fui apegada desde cedo a essas pequenas felicidades gratuitas.
Lá pelo início de março
daquele ano, um rastro qualquer de outra felicidade ainda desconhecida parecia
me perseguir. Eu estava completamente leve durante aqueles dias, apesar do peso
de decisões que julgava imutáveis. E mesmo acreditando que as minhas
inabaláveis convicções estavam intactas, no âmago da minha estrutura elas já
começavam a ruir. É... Era o começo da minha libertação.
Havia a sensação insólita
de algo à minha espera. O pressentimento de um compromisso marcado... Um
encontro a ser arquitetado pelo acaso. Digo que foi inesperado, mas a verdade –
que eu também ignorava – é que estava te esperando. E estive lá por dias
seguidos à sua procura. Sabia? “Você” já estava projetado em meus anseios há
anos, só esperando o momento certo para acontecer. Probabilidades. Matemática
pura.
Tenho burlado o tempo de
todas as maneiras para reviver aquelas primeiras horas em que estive contigo. O
passado eternizado no tempo presente. Dois dias depois daquele nosso primeiro encontro,
minhas reservas foram todas perdidas, toda a minha psicologia barata já tinha
sido abandonada, minhas teorias todas descartadas, e a minha máxima
prudência... esquecida. Eu não sabia, mas aquela que eu era já estava completamente
extinta.
Depois de reencontrar
meus sonhos mais ancestrais ao te encontrar, fiquei perdida no meu medo de te
perder. Mas que medo é esse que senti antes mesmo do fim do primeiro movimento
em tua direção? Deve ser porque temi o que não podia ver, muito menos tocar. Contudo,
meu medo foi totalmente dissolvido em tua resolução. Eu podia sentir... Você
segurou firme em pensamentos a minha mão.
Chegou com o grande
poder de tornar tudo... todo o resto insignificante. Nada mais daquilo que eu
tinha era suficiente. Saiu e deixou plantado o vazio que só havia uma forma de
ser preenchido. Havia entendimento mesmo na ausência das palavras. Até o nosso
silêncio tinha um ritmo perfeito. Mas no instante em que eu ia ao céu com a tua
ousadia, logo despencava num inferninho com perguntas que era melhor não
responder.
Eu juro que tentei me desvencilhar, tentando não imaginar caminhos
impossíveis de trilhar, porém você veio pela estrada na contramão passando por
cima de todas as minhas certezas. Lembra? Você disse que “me
queria” ao som de Bon Jovi (que eu não parava de ouvir) e eu custei a
acreditar. E mesmo que dissesse com todas as letras em bom português, ainda assim,
eu iria desconfiar.
Ah, aquela minha mania que eu tinha de achar que amor é
dureza, que não é tão fácil de encontrar assim... Mas eu perdi todas as minhas
crenças (e defesas), quando você veio com a sua lábia despretensiosa pra
cima de mim.
28日
Nossa, eu ADOREI seus textos. O blog é lindo, tudo nele. As cores (minhas preferidas, inclusive), desenhos e escritas. Parabéns mesmo! :)
ResponderExcluir(ah, te respondi na no blog, beijo!)
Oi, Fernanda, seja muito bem-vinda ao "Minhas memórias de nós dois". Seu comentário foi uma surpresa para mim, pois meu blog não é muito visualizado. Mesmo assim me dedico a ele e aos outros também, pois gosto de escrever. E acho que isso é o principal. Muito obrigada por seu comentário e por ter respondido ao meu em seu blog. Eu te acompanharei, pois amei o que você escreve e as suas fotos! Beijos!
ExcluirA gente sempre perde, né?
ResponderExcluirMas, nesse caso, acho que perder é ganhar! :)
Seu comentário lá no blog me deixou feliz! Que bom que gosta dos posts! ^^
Beijinhooos!
;*
Oi, Bianca, obrigada pela visita e comentário!
ExcluirEstarei por lá sempre que puder! Beijos!