Ano novo com cara de velho


"O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausência é uma eternidade."
(John Dryden)


Olhos abertos. Ano novo?!... Não quero o novo que estou vendo. Meu relógio interno endoidou. O meu ano só começará contigo. Já é 2009 para a maioria das pessoas. Eu estou encarcerada no ano que oficialmente já se foi, porque é nele que você ficou. Foi lá que te vi pela última vez; que ouvi tua voz; que ouvi/li você dizer “eu te amo”. É lá que está o que eu quero; o que amo. Então, nada tem sentido aqui. Estou com outras pessoas quando na verdade, quero e deveria estar contigo.

A cama não é das melhores, mas seu cheiro está comigo no tecido que outrora tocou seu corpo, nas noites em que nossas almas dormiam separadas. Por hora, isso traduz minha felicidade. “É só uma camisa.” Não, não é só uma camisa. É a tua camisa e ela está comigo agora e com ela teu cheiro também; que sai dela aos poucos para entrar dentro de mim, realizando a minha fantasia metonímica. Eu a vesti e essa foi a minha forma de ter você.

Kitsune

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