Foto: Niffty..
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que,
com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.
(William Shakespeare)
Você chega, sai. Vem e vai. Volta no dia seguinte e parte novamente. Por que não sinto mais as coisas como antes? Será se algo mudou dentro de mim? Ou foi em você? Existe uma distância maior do que a geográfica que está nos afastando cada vez mais. São medos, desconfianças, insegurança, hesitação, meias palavras, meias perguntas, meias respostas. Será se isso tudo está apenas dentro de mim?
É um processo, eu sei. Quando te encontro, evito apressar as coisas, porque não quero ter que fazer o caminho de volta, sozinha. Talvez nem tenha que fazer. Mas como saber? Teria que arriscar. Estou disposta a correr riscos? O que eu perderia? Tenho tão pouco. Tenho quase nada, mas esse nada é o tudo que tenho. E tenho me agarrado a isso com todas as minhas forças. É tão difícil. É tão difícil abrir mão do pouco, quando ele é tudo que temos.
É mais difícil ainda retornar seguidamente, depois de só encontrar decepção. Decepção por nossas próprias escolhas. As que fazemos quando achamos serem as melhores ou as únicas; ou as que fazemos quando nos baseamos em falsas expectativas. Não quero voltar outra vez e começar do zero.
Sinto que estou me fechando. Eu nem tentei. Apenas estou abrindo mão de algo que poderia ter. Por quê? Para não sofrer? E por que estou sofrendo agora? Não faz sentido. É, parece ser um pouco tarde demais para evitar o sofrimento. Não há como voltar. Agora, só é possível seguir em frente. O que devo saber é se vou caminhar acompanhada ou se vou continuar sozinha. Só agora entendo realmente que para ganhar algo é preciso estar preparado também para perder.
Kitsune

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