Foto: Qskulls™
Pelo menos um de nós dois não tem medo. Você me confunde, sabia? Há quatro dias nossas conversas têm sido superficiais (Eu sei. Estive sendo um pouco fria contigo. Eu nem quis saber. Não procurei entender). Eu já estava até tentando conviver com a idéia de que o “nós” já não é mais uma possibilidade. Você mesmo se encarregou de me mostrar isto e apesar de isso ter deixado uma ferida aberta em meu peito, eu te agradeço. Admiro a sua honestidade. Admiro sua sinceridade e por elas ainda falo contigo. Sinceramente, não é só por isso, mas é claro que não vou te dizer. Eu continuo te amando.
Eu fui além do que você, não é? Você foi amigo e digno o bastante para evitar uma catástrofe maior. Mas por quê? Eu odiei o que você disse. Mas não estou te odiando. A sua falta de canalhice me faz te amar cada vez mais. Eu quero você. Estou lutando contra isso e vou manter a distância que eu mesma me impus. Quero que entenda que eu não aceito o que me disse, mas te respeito. E é por isso que não vou protestar (Ou eu deveria? Foi apenas um mau momento? Será se foi apenas mais um dos seus testes?). Você com certeza conhece a si mesmo o suficiente para saber do que pode ou não. Mas como eu queria que você estivesse errado ou que estivesse apenas me forçando a lutar por ti. Queria que viesse até mim e dissesse: Desculpe-me pelo o que eu disse. Eu não quis dizer nada daquilo. Eu errei. Eu sou capaz sim de levar isso adiante. Eu quero também. Eu amo você e estou pronto para qualquer coisa contigo.
"Não estou dando espaço para ninguém, não é?" Depois de um monte de palavras que eu não queria ler e que você com certeza não queria me dizer, finalmente, essa sua pergunta veio hoje para me dar a resposta que eu tanto queria: você ainda tem interesse em mim (Será se tirei conclusões precipitadas? E você nunca deixou de pensar em mim um só segundo?). E mais: estava consciente de que estávamos nos afastando e pelo visto isso também está te preocupando. Talvez você não tenha percebido, não é? Eu também estava triste com isso, embora eu venha demonstrando que está tudo bem. (Desculpe, mas esse é o meu jeito de lidar com coisas que me deixam muito fragilizada). Acho que a minha aparente felicidade te magoou. Você deve estar pensando que o que me disse dias atrás não fez tanta diferença; que não me abalou em nada. Mas o que queria que eu fizesse depois que você esmagou os meus sonhos?
Você virou as costas para o mundo que eu imaginei com você, se negando a fazer parte dele. Sei que são grandes expectativas para um amor tão recente e tão frágil. Eu posso ter me precipitado ao jogar tantas expectativas em cima de você. Mas fiz isso por ter certeza absoluta de que amo você; por acreditar que esse amor tivesse capacidade para se fortalecer. Eu também não estou pronta para tantas responsabilidades, tantas dificuldades. Mas e daí? Não tem como estar preparado para isso que estamos vivendo. E por não estarmos, vamos simplesmente jogar a nossa chance (única) fora? Mesmo que não tenha dito com todas as palavras desde o começo, eu entrei nisso inteira e cada célula minha está convicta de que você é a única pessoa com quem eu posso ser realmente feliz. Não me pergunte como sei disso.
Estou consciente de que esse amor ainda não é forte o suficiente para suportar tantas intemperanças, mas ainda acredito que ao teu lado eu possa encontrar a força necessária para levar isso adiante para um ponto em que não haja mais dúvidas. Eu sei que o seu jeito doido de falar as coisas abertamente não fez com que eu me abrisse mais, muito menos fez com que eu reagisse e te dissesse: eu te amo e quero apostar nisso. Também nem perguntei o que estava acontecendo. Sei que não disse nada, mas quer saber? Eu prefiro o L egoísta a esse L desapegado. As possibilidades estão de volta, mas continuo confusa.
Kitsune

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